quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Pás na Terra

Parece querer dominar-te a ansiedade
Sobe corrente na alma
Valentia talvez, quem sabe
Nem sabe quando aquele dia
Noite do sábio sabia
Que nele encontrava a paz
Que por ele não quer seu cartaz
Só que seja posta a pá nas terras
E se trabalhe no interno tumulto
Aprenda-te a agradar sem quereres ser agradado
E compreenderá o quão é preciso, pra ti e pra eles
Segurar a pá
Deixa cavar, cavuca guardando lembrança doída
Alivia o pensar da consciência
Deixa passar o passo
Que no nosso encalço estás
Abre a janela e deixa-te espiar
Não temas só
Carregue a paz na pá
Enterre-la neles
Como semente ao germinar
Mas trata de cuidar
A flor não brota na terra pérfida
Não vinga se ao menos a sede saciar
Muita teoria atrofia a prática
O que é prática sem teoria?
Equilibra-te no cordão dos acordados
E segue com o passo calmo na busca de ter encontrado
O grão só é grão se só o grão for
É muito mais com irmãos
Colha-os na plantação que vingou
Distribua-os na terra errante
E cuida pra que cresça e germine em tantas Terras.

terça-feira, janeiro 30, 2007

O que é sonho???

Certa vez me perguntaram sobre os sonhos. Pensei tanta coisa que lembro perder idéia e procura-la ainda. Mas pegou-me a surpresa quando mudou sentido.
O que é o sonho?
Ah é... Quando a gente encosta a cabeça no travesseiro e dorme feito a criança. Ou, quando queremos muito uma coisa difícil de conseguir. Ou ainda, a brincadeira dos três desejos mágicos.
E como bom instrumento, o ponteiro continuou a rodar (continua), até um dia um certo amigo em seu modo dizer:
"Quando criança a gente sonha em ser de tudo. Mocinho e Bandido e Anônimo e Famoso... Que tal um Cantor ou Advogado? Acho que Padre! Ou um Cientista Louco. Atualmente vejo o mundo em que me encaixei. Reflito o que eu quero e o que dizem que é "meu". E percebo que hoje o meu maior sonho, É poder um dia finalmente ser Eu."
E então, algo aconteceu, percebi "ser eu", seguida resposta:
"É bonito ter sonhos, acreditar, ver o futuro e criar centenas de idéias na cabeça! A gente faz um montão de versões pra nossa vida, mas nem sempre, ao menos uma delas, acontece. Talvez seja um pedido pra que os sonhos continuem. Pra que a gente continue a agradecer, a pedir desculpas, a planejar, e a levantar quando tropeçamos nos próprios desejos - às vezes por querer demais. Ou talvez seja um sinal de que crescemos e mudamos de idéia, ou será que são as idéias que nos mudam?! É preciso sonhar, pra não deixar a criança apagada, têm muita gente "velha" no mundo. Muita gente que nem percebe quando os sonhos acontecem. E melhor que sonhar é ver o sonho realizado, para de novo sonhar!"
Poder sonhar é acreditar sinônimo de fé. Podemos, só não percebemos.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Olhos.

"Às vezes é preciso apagar a luz,
para que se dê valor aos olhos e enxergue o mundo."

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Trecho

Meu nome é Benedita, Maria Benedita da Cruz Pereira. Venho de longe lhes mostrar, um conto de meu lugar. Minha terra não tem palmeiras e tão pouco sabiás. Os sabiás que lá gorjeiam, não gorjeiam, pois estão cá, ali, aculá... Menos lá. Venho lá do sertão, da terra dos sonhos, das vontades e principalmente - da esperança dos meninos. Do menino sem o pai, do menino sem estudar, do menino desnutrido, na esperança de um lar. Da saudade dos que foram, tentar ganho n'outros ares, nas sementes que secaram por na terra não ter leite. E cá estou, e o que agora vou contar, não é piada, não é desgraça, é momento de chorar. Nessa terra, nessa vida, que seja sempre possível um menino poder sonhar - até porque, somos TODOS meninos.

terça-feira, janeiro 09, 2007

"O Fabuloso Destino de Amanda Pereira"

Amanda Pereira, aos seus 19 anos e 20 dias de vida comia satisfatoriamente um pãozinho com manteiga quando ocorreu-lhe um pensamento: "Por quê?" Depois de então, esse pensamento invadiu-a de tal modo que nem mesmo o pãozinho a salvou do naufrago. Foi bonito! Seus olhos brilhavam instintivamente a frente do computador enquanto refletia sobre tudo aquilo. "Por quê...?". Tudo então pareceu-lhe vago e oportuno. Foi como um raio que bateu-lhe a mente e sacudiu-lhe os sentidos tornando-a mais atenta.
Viu-se numa estrada, onde caminhava há um certo tempo, tudo normal. Até que deparou com uma outra. O mundo caiu, partiu-se em dois, o vento soprou mais forte e frio, era preciso decidir - agora - qual das duas tomar. Ao pensar, pareceu-lhe surgir mais e mais caminhos - uma encruzilhada! Pra todas que olhava pensava ganhar algo e..., perder também. Ficou com medo, não queria, por que tudo não poderia ficar como estava? E foi nesse momento que uma pedra bateu-lhe e cocoroco.
"Pára de reclamar e choramingar feito criança perdida no supermercado, aprenda a andar com suas pernas e tomar suas próprias decisões. Algumas delas muito difíceis - sim, mas ninguém disse que seria fácil, não é?! O que lhe falta é abrir os olhos ao senso de equilíbrio! Coloque na balança as vantagens e desvantagens da mudança. E têm mais, preferir a derrota prévia a dúvida da vitória é desacreditar em si mesmo. Calça teu sapato e esquece o mundo chato. Segue, segue menina. Olha. Tem muito lá fora pra abraçar, a vida não se resume em uma ou duas estradas, muitas escolhas ainda virão. Quanto a sua preocupação - carregue-as em seu coração, pois você estará no delas. Só é preciso não ter o que precisar."

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Só sei que foi assim.

Tinha nascido. Era chorona, muito chorona minha irmã. Nasceu no dia 07/01/1987. Conhecidentemente no mesmo dia em que uma certa tia que estimo muito. Começo por ela, porque é antes de mim. Todos dizem: "Um tanto apressados foram seus pais..." Pois é, mal minha mãe tinha se recuperado do primeiro e sofrido parto, tchan tchan tchan tchan... a Amanda resolveu aparecer, digamos que passar um tempo naquele lugarzinho aconchegante onde os bebês esperam. Primeiro o susto, nada esperado. Alguns diziam "Hum... Foi no carnaval, ta explicado!" hehe Depois de um tempo, se conformaram, e todos esperavam um garotinho, até o resultado do raio X. Meu pai até compôs uma música. Pensava que eu viria de olhos azuis e cabelos dourados e bem 'arrumadinho' por causa da minha avó. O resultado foi contrário, vim 'bagunçadinha', um bicho do mato. Mas até que um bicho bonitinho. Ele escolheu vários nomes, quando eu ainda habitava a barriga, mas sobre isso só digo que eram de jogadores. A minha mãe teve uma gravidez tranqüila, tão tranqüila que se perguntava, e até se assustava. A resposta veio quando nasci. O médico deu-me uma palmada, outra... Nada. Todos preocupados. Então, a última (ainda tenho a marca de seus dedos - brincadeiras a parte, hehe) Berrei pro mundo na madrugada de hoje (21/12/1987) às 01:15 hs. Tudo estava explicado, passei os nove meses dormindo, nada me acordava, nem mesmo a claridade e as vozes do novo mundo. Eu sonhava.
E hoje.. De olhos bem abertos!

segunda-feira, dezembro 11, 2006

O viajante

O Viajante que cruzou a ponte,
não o fez com mentiras.
Por mais que seus olhos estivessem fechados
ele sabia qual era o seu caminho.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

A descoberta


Muitas vezes minha prova é conviver comigo mesma
procuro-me incansavelmente e não me encontro.
Então, olho adiante...
descubro-me no outro.

terça-feira, novembro 21, 2006

Erros corretos.

Existem três tipos de ser humano: O 'burro', que quanto mais tropeça mais fica cego; O 'inteligente', que age como um burro, mas no fim das contas aprende na primeira queda ou não, mas aprende, e o 'esperto', que de tanto ver os outros caírem, sabe que ali tem um buraco. Você acredita mesmo nisso? Eu não.
Acredito que os erros não se aplicam as pessoas e sim as situações vividas por elas. Imagine o que seria se uma pessoa só errasse, ou se tudo fosse muito simples como aprender com os erros dos outros? E o erro? Quem nunca errou? O que se pode chamar de erro? Julgar os outros por seus atos, isto também não é um erro? Oras...
Existem situações que me parecem labirintos sem saída, outras, que para uns são tão complicadas, eu resolvo num passe de mágica sem mesmo nunca ter passado por algo parecido antes. E ainda aquelas, que me servem de experiência, passo uma, duas ou até três, e no fim, não preciso respirar fundo demais, pois sei que tudo vai ficar bem. Tudo sempre fica bem!
Espero um dia ter vivido o suficiente para dizer que ainda erro. E que a vida, não me deu apenas experiência e compreensão, mas ensinou-me a ter paciência e sabedoria para dizer que amo e que espero. Pois hoje é meu último dia. E que ele seja como todos os outros que passei até agora. Cheio de vontade do pôr-do-Sol, e esperança por um novo nascer.

sexta-feira, novembro 03, 2006

"Sonho"

Um belo campo cheio de árvores, de flores, do verde. Crianças brincando, cachorros rolando na grama, um toque de simplicidade e eu. Andava observando tudo aquilo, contemplando a criação. À minha frente uma grande montanha, e eu a subia. Fui em direção a uma casa de construção antiga, acredito ser uma Igreja. Não entrei, apenas subi a escadaria ao lado. Por onde passava, havia cães, todos brancos, e eles me seguiam, me acompanhavam. O Sol estava o dia, os pássaros cantavam e eu subia. Ouvia a minha voz, como que conversando com outro alguém. Não vi ninguém, só a mim. Parei num lugar pra comer, fome estava. Depois, continuei. O tempo agora escuro era, sabia o caminho, seguia a trilha, mas pensei - me perdi, não pode ser aqui! Olhei pro lado, fiquei com medo, muito medo, água corria rua abaixo, um grande rio passava, descia, não era o que imaginei. O rio parecia devorar-me a alma e mastigar meus mais secretos desejos sem piedade. Continuar, só atravessando-o. De duas uma, ou corria o risco e atravessava, ou meia-volta dava e caminho mais fácil escolhia. Pensei, doeu, depois de subir tanto, estar quase lá, ter que voltar. E então me dei conta de que estava só, nem os cães nem a voz me acompanhavam, nem a coragem, era eu e o rio. Fechei os olhos forte querendo acordar daquele sonho que tornara-se pesadelo, então ouvi. Não, eu não podia abandonar o tudo agora, e meu esforço, e tudo o que passei que vivi, e aqueles que me seguiram, que me deram força? Não podia mais voltar, não queria, e a água crescia assim como o meu medo. Decidi num improviso, dei o passo pro futuro pensando nas belas coisas que conheci, nas pessoas que por minha vida passaram e nas que estão, e para minha surpresa a água desceu calma e pouca assim como meu medo - sumiu. O Sol brilhou de novo e meu espírito se fortaleceu. Atravessei. Do outro lado...
Acordei.

"Tristeza deveria estar, afinal não vi o que desejei tanto ver. Mas existe algo muito maior e muito mais forte - a beleza que está entre nós. Muitas vezes coisas simples que parecem tolas, mas não são.
As pessoas que passam, os cães que acompanham, as flores, as crianças, meu Deus tudo está ali! Tudo está aqui, sempre esteve, e no fim das contas vejo o quanto é importante poder ver..."