sexta-feira, julho 18, 2008

Quero querendo


Quero voar no alto sobre o precipício
Me afogar de amor, de paz, de gente boa
Beber o sossego dos dias quentes de inverno
Inventar histórias reais, me vestir de fantasia
Quero me pintar de noite e dia, sem ter hora e nem onde terminar
Transpirar de alegria, sorrir escandalosamente, gritar, pular...
Mentir pra mentira a verdade (in)conseqüente
Beijar o beijo verdadeiro, quente que arrepia
Quero me emocionar com a novela da esquina
Bater palmas pro artista na rua
Criticar a censura, a desigualdade e a "não crítica"
Tomar banho quente, ouvir a cidade, me deitar na grama
Quero tanta coisa que não me caberia
Inundar-me a vontade de dias assim, anseio
Por parte de tanto, pedaços de cada parte
Grãos pequeninos de feliz ilusão
Quero nada que não me queira
Ou que me queira sem eu querer
Quero o verbo, o verso, o dia
O amigo, o vinho, o calafrio
Quero todo dia, poder querer desse jeito
Jeito manhoso, quietinho e fogoso
Quero sabendo que hoje, ah...
Hoje é só hoje, e eu quero.

quarta-feira, julho 16, 2008

Alguma coisa acontece no meu...

Clarice disse que não, que é bobagem de menina boba, coisa de criança ainda criança, disse que gente grande pensa diferente, gente grande talvez até sinta diferente. Ah, não me importo com o que Clarice diga, é falta do que fazer meter o bedelho onde não é chamada, e eu nem tinha pedido sua opinião. Ela insiste, insiste em dizer o quanto tudo isso é papo furado "Menina, vai caçar o que fazer, ficar de namorico no portão é coisa feia viu? Vai estudar menina". Namorico no portão? É, Clarice não entende nada!
Clarice não é minha mãe, nem minha vizinha, tão pouco uma amiga. Ah, deixe-me falar com Clarice, vou esclarecer-lhe a situação, será que ela me entenderia?
E porque a preocupação se não lhe devo satisfações?
É, não sei não, só sei que as coisas vão bem, vão assim assim, talvez talvez... Vão bem. Bem como estão. Clarice que se esclareça, pra mim as coisas estão bem clareadas, o que quero, quando quero...
Não quero nada.

terça-feira, junho 24, 2008

2 aninhos!!!



Queridos leitores,

Tenho que registrar esse momento, mesmo que passado. Pois, no dia 22 desse mês, dois dias atrás, esse meu espaço fez aniversário! É muito bom poder compartilhar com todos os pensamentos que vagam e escorregam aos dedos... e também observar as outras estórias e histórias contadas nos espaços, até de pessoas que eu não conheço e acabo por conhecer no jeito, nas formas, nas entrelinhas. É através daqui, das letras e dos contos que nos conhecemos, criamos um mundo real, universo de fantasia e imaginação, e assim acabamos por nos conhecer, nós outros e nós mesmo.
Não posso dizer que é poesia, conto, crônica ou redação. É tudo junto, separado, contado, rascunhado, enfim. Hoje vim para contar ao blog e aos visitantes mais um conto de ano, que bom, que bom.

Só passei para dizer a todos os maluculados... Um muito Obrigada!
Porque loucura minha gente, loucura é não se deixar ser louco...
Ótima semana a todos!
Amanda.

quarta-feira, junho 18, 2008

Acontece.


"Se esta rua, se esta rua fosse minha

Eu mandava, eu mandava ladrilhar

Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes

Para o meu, para o meu amor passar..."




E passou, caminhou contente de sorriso aberto, bronco, rouco de gargalhada. Menina cantava, menino dançava, todos riam, brincavam, pulavam a amarelinha de giz azulado. Era uma só alegria, no asfalto, no dia do dia que foi, que não é ou será? Fosse minha...
Outro dia, brincou de ser quem não era, teve medo "suspeito esse sujeito", parecia muito com quem ele era, mas parecia. Mascarado de todos os jeitos, mão com luvas, corpo coberto, rosto pintado, olhar... Bem, o olhar... O olhar era o dele mesmo. Ladrilhar...
Lembrou-se da Ana quando ouviu a caixinha de música, lembrou-se do dia em a esquecera.
Esquecimento. Aquecimento. Apontamento. Ponto.
Passou, não aconteceu.
Acontece.

quarta-feira, junho 04, 2008

Monólogo em Tempo


Infelizes dos que crêem em mim. Acreditam ou tentam acreditar que comigo "tudo passa". Ah se eles soubessem, mas eles sabem, todos sabem, apenas insistem em acreditar. Insistência tola, mas compreensível. Afinal, é preciso crer! Seja no tempo, seja no mito, seja em si mesmo ou em qualquer outro motivo, mesmo que para isso motivo não haja. As pessoas teimam, é de sua natureza teimar. Mas será mesmo preciso? Elas teimam em precisar, necessitam, o tempo todo de um tempo, para tudo, mas para quê? Eu passo viu, e não volto não. Não é teimosia, é que a mim não me basta voltar, assim não teria razão meu existir. Mas eu volto, entenda o modo, porque voltar verbalmente nunca. Tem coisas que eu tempo não curo, se é que tempo cura alguma coisa.
Tem gente que passa a vida procurando algo, alguém, alguém de alguém... Tem gente que espera que esse algo, alguém ou não sei o quê simplesmente apareça... Mas tem um momento que essa gente se pergunta: "por quê?" "pra quê?" ou "pra quem?"... A vida é longa, as pessoas é que não sabem administrar cada uma, cada qual, o seu tempo. Sim, porque eu me fragmento, sou tantas coisas e ao mesmo tempo consigo ser nenhuma. Mas já me basta, parei por uns segundos, minutos, não sei mais eu, preciso correr, até o tempo tem mania de precisar, só aparências. Até mais ver Lembrança, passa em casa pra gente tomar um café mais tarde.

terça-feira, junho 03, 2008

Anonimato

- À quem escreves Eufredo?
- És de tua conta D. Benedita?
- És da conta de todos, queira saber!
- Pois bem, escrevo a alguém.
- Pois quem, hein?
- Alguém és teu nome. Alguém da Cunha Machado.
- Oras, não me venha com peripécias, sei muito bem à quem escreves.
- Então porque perguntas?
- Quero a confirmação.
- Mas se já tens tanta certeza.
- A confirmação.
- Então não há certeza alguma.
- Dê-me-a, ou me tiras do sério.
- Estás séria? Pois parece-me muito abatida. A senhora têm ido ao médico, não quero me intrometer, mas apenas acho que...
- Chega! Cala-te infeliz. Sei que escreves pra quêla bruaca da Rita Maria. Desse jeito comprometerá a todos nós. Dê-me a carta. Já.
- Como? Eu? Oras, e és de tua conta futriqueira. O que pretendes tu?
- Entregar-te ao Estado.
- A ele já pertenço.
- Não se faça de besta. És um tolo.
- Que seja.
- És louco? Nossas vidas estão em risco, e tu, comunica-se com aqueles...
- Loucura é não fazer nada diante de tanta injustiça, e saiba que, com ou sem isso, nossas vidas permanecem em risco, viver já é perigoso o bastante mesmo entre quatro paredes, e não há muros, paredes ou pontes que nos escondam. Somos livres D. Benedita, livres. Do próprio Deus o livre arbítrio dizemos ter. E que liberdade é essa, imposta e limitada, "escolha" deixou de existir há muito, somos obrigados a engolir sem vomitar, a sociedade és certa e errado quem vai contra ela, e todos se esquecem que o peixe também é responsável pelo curso do rio. Bem, "sejamos todos bons cidadãos". Oras, dê-me um motivo para não escrever, e eu o respeitarei se a mim, e a meus ideais, me convier.
- (...)

quarta-feira, maio 28, 2008

Ausência

Queridos leitores,

Não tenho tido tempo de visita-los em seus cantinhos especiais, e tão pouco para desenhar no meu. Mas asseguro, voltarei. As letras me fazem cócegas nas pontas dos dedos, querem sair, nascer e formar-se palavra escrita, dita, contada.
Bem, esse borbulho que aqui se encontra, em mim se encontra, e depois espero que aqui descanse.

Obrigada pela visita.
Ótima semana!

Amanda.

quinta-feira, maio 08, 2008

Sabe-não



A gente sabe...
A gente não esquece... Porque a gente vive, a gente sente, e gente erra, a gente repete e às vezes não muda.
Damos voltas na volta à "Lua", damos vida em qualquer estação que se faça, somos semente, broto descalço, alguém para amar.
A gente erra, a gente emudece.
Depende do erro, do que é um "erro", depende da falha, da noite e da escada, depende de tantas coisas, porque só depende da gente...
A gente sabe-não...
Sabe nem se depende. Querer é costume, hábito inseguro.
Insegurança é segura, segura tanto que prega os pés que não dá pra andar.
A gente pode, quando a gente quer a gente aprende. Mas tem coisas que não dá pra ser 'só'.
Tem coisa que 'só' a gente compreende, junto, a gente conta outra história.

sexta-feira, abril 11, 2008

Sou tua, Vida.


Vida, me leva pra junto de ti, me bota no colo, acaricia minha face, me enche de beijos. Me afastei de mim, fugi pra longe, bem longe do que eu entendia por "ser". Sou assim, sou não sei como, nem quando, mas sei que sou.
Ah Vida, põe-me nos teus braços e me conta tua história, escutarei tudo o que disseres, olharei pra ti com os olhos de uma criança, ficarei quieta e atenta, mas por favor... Deixa-me te ouvir.
Vida, me entenda, não sei como cheguei aqui, mas tu me trouxeste, tu me fez assim, não culpo-te, não! Eu te amo por me ensinar tudo o que sei, eu te amo por me mostrar tudo o que eu ainda não vi, eu te amo por tantas coisas e por tão pouco.
Ai Vida, dói-me as lágrimas por te amar. Choro a tua nascença, a tua virtude, dói-me a ausência de mim em ti, mas eu Preciso.
Abraça-me, aperta-me em teu peito como tua mulher, fala-me no ouvido tudo o que quiseres dizer, deixa-me viver-te em mim, sou tua, Vida, sou tua sempre.
Cada instante me é precioso, não jogarei ao tempo o tempo que tenho, tu és feita de escolhas, pequenos detalhes que fazem a diferença. E eu escolhi. Eu escolhi viver-te.