segunda-feira, novembro 23, 2009

CONVITE Espetáculo!

Caros leitores,

Chega ao fim mais um processo de aprendizado, estou me formando como atriz e gostaria de convidá-los para minha peça de formatura. Na verdade, todos nós sabemos que o aprendizado jamais termina, ele é constante e gradativo em toda e qualquer esquina da vida, pois estamos sempre aprendendo.

O espetáculo se chama "VEM BUSCAR-ME QUE AINDA SOU TEU", é do mesmo autor de "Hoje é dia de Maria, Carlos Alberto Soffredini.
A estreia é amanhã, dia 24/11, às 20h30 no Teatro Recriarte (Rua Fradique Coutinho, 994 - Vila Madalena). A peça ficará em cartaz às terças e quartas até 09/12. Faremos duas apresentações extra nos dias 16 e 18 (quarta e sexta) de dezembro, no mesmo horário, no mesmo local.





Conto com vocês!

Grande Beijo,
Amanda.

quinta-feira, novembro 12, 2009

Nota: Numa noite em Canterville

Sexta-feira, 22 horas e 14 minutos, frio e neblina na cidade montanhosa de Canterville.

Existem montanhas neste lugar? Não sei, apenas achei que seria um bom nome, talvez Oscar Wilde tenha pensado algo parecido, talvez eu devesse pesquisar antes de usar... Enfim.

 
Louise está sentada em um balanço, não está sozinha, observe suas mãos suspensas... Espere, Louise está amarrada. Ela levanta o rosto, vira-se para o relógio, 22 e 16 min, "as horas aqui parecem se arrastar..."

Nota sobre Louise Parmor: formada em arquitetura, estudante de psicologia, 91 de quadril, 68 de cintura, 99 de busto, 58 kg de coxão duro, ruiva, 10 minutos de back history e 24 anos de idade.

Está escuro, já faz um tempo que Louise acordou. Apesar do frio, seu corpo transpira, por medo, por insegurança, por piedade. Tenta identificar o local, mas a escuridão é imensa e parece engolir cada curva de uma possível saída. Talvez seja um parque, uma praça, mas onde? Louise está em pânico. Não consegue gritar, seus braços doem, seu corpo trêmulo pede socorro, mas ninguém pode ouvir, ninguém vai ouvir, pois sua fala emudeceu, se entregou para o medo. Louise chora.
De repente um ruído e silêncio e susto.
De repente um estouro, um grito.
De repente outro grito, um gemido.
Louise está sangrando. Thomas acaba de chegar.

Nota sobre Thomas Philips: advogado, 1,82 de altura, louro, magro, viciado em chicletes de menta, alimentação a base de soja. Lê muito e é fissurado no jazz de Louis Armstrong. Comemora seus aniversários só desde o seu divórcio com Meg Philips. Faz 5 anos que ela morreu. Dica: nunca lhe ofereça alimento que contenha gordura-trans.

 Louise olha para Thomas enquanto ele guarda no bolso um pequeno revólver. Sua respiração torna-se mais ofegante a cada segundo, sua voz sai fina e quase inaudível para ela mesma, acabou. Não há saída. Thomas se aproxima e segura firme seus braços, Louise quase não os sente. Ele a observa, cuidadosamente, a toca, carinhosamente. As mãos de Thomas vão deslizando, caindo devagar pelo corpo de Louise, ela sente...

Espere.

 ...ela está com medo, não compreende. Thomas aperta seus braços contra seu rosto. As amarras não estão mais presas. Thomas quer acabar logo com isso, precisa terminar com o que começou. Tira do bolso de novo o revólver. Mira. Louise chora. Atira.

Paul está morto.

Nota sobre Paul Allison: Estudante de tecnologia e suporte digital avançado, 25 anos, ex-namorado de Louise Parmor. É programador e escreve contos policiais nas horas vagas.

Segunda nota sobre Thomas Philips: foi investigador no departamento de homicídios de Canterville até ser afastado do cargo e tornar-se advogado após o assassinato de Meg Philips, sua esposa. Após 5 anos de pesquisas, descobre pistas que condenam Paul Allison.

Segunda nota sobre Louise Parmor: Terminou seu relacionamento com Paul após desconfiar de sua genialidade. Pressionada por ele, se manteve calada até Thomas Philips lhe garantir segurança. Foi seqüestrada por Paul na mesma noite de seu encontro com Thomas, que a seguiu e garantiu sua segurança e justiça com a morte de Paul.


terça-feira, novembro 10, 2009

Peixinho bobo

Ah sim! Quantos peixes bonitos... Os dourados são os que mais chamam a atenção.
Olhe, existe um pequenino escondido entre eles... Demorou até que o visse, não é tão claro, não brilha tanto, nem é dourado. Mas visto que é diferente, é mais bonito. Pelo menos é o que eu acho.
Tem uma moça olhando o aquário. Ela fez sua escolha, vai levar um dourado. Um menino também pediu, e outro mais um. Assim foram indo e indo os peixinhos dourados. Restaram poucos, e eu ainda acho o 'peixinho bobo' o mais elegante.
É uma traição preferir o outro.
Não, preferência tem-se lá cada um a sua.

segunda-feira, novembro 09, 2009

São as palavras...

- A suprema das artes! A escrita!
- Existe supremacia na arte?
- Hierarquia até na lingüística!
- De fato, mas em absoluto supremo.
- Que argumento detém?
- E argumentar convém?
- Então se não a escrita, qual das artes elege à supremacia?
- A de dormir meu amigo.
- Oras... Desde quando dormir é arte?
- Desde que em meus sonhos existem imagens, música, dança e muitas ideias para a escrita e qualquer outra das artes.

Poesia

Sabiam que eu nunca gostei de poesia?
E, no entanto, escrevo-a.
Talvez não com tamanha primazia
Ora! Chega de rima!

Agora ocorre-me um fato
Eu nunca gostei das princesas,
Dos príncipes e seus cavalos.
Quem sabe do sapo.

Adorava as cantigas de roda
As histórias da avó
Brincar de pular corda
Esconde-esconde e dominó

E a rima se faz precisa
Não em harmonia perfeita
É a coisa da poesia
Sê metade, porém inteira.

sexta-feira, novembro 06, 2009

Finito



Toda estrada leva a algum lugar, no caminho novas rotas, novas trilhas, novas descobertas, pois cada escolha tem sua particularidade e cada ser que a escolhe também. Caminhamos e convivemos com uma certeza única e igual para todos. Aprendemos crenças, questionamos razões, discutimos probabilidades, compartilhamos sentimentos, acreditamos em Deus, na evolução do homem, em Buda e na Mitologia Grega ao mesmo tempo, formamos silabas, aprendemos outros idiomas, novos costumes e tantas outras coisas até perceber que conhecemos o mundo, mas não o universo dentro de nós. Estamos em constante mutação, expostos a todo tipo de situação, vivemos aprendendo e fazendo releituras das coisas boas que passaram por nossas vidas e das que queremos esquecer, das que desejamos para o futuro e das que não voltarão mais... Renascemos a cada começo, nossa vida é infinita em possibilidades.
Vamos por ali ... onde brilham estrelas...

Quando

Quando ontem acordei
No susto dos raios
Segurava tua mão
Dedo por dedo
Que entrega maior a do medo?
Que entrega melhor?

Quando hoje despertei
Para um novo dia
Não tive vontade
De ir embora
Na verdade não tive nenhum dia
Na verdade não tive

Quando a noite chegar
Meus lábios vão te tocar
E no beijo vamos sorrir
Porque não importa quando
Importa que estaremos juntos
Estaremos...

sexta-feira, outubro 16, 2009

Eu, pequenininha.

Teve um dia que eu quis ser pequenininha.
Oras, mas eu sou!
Não. Eu quis ser menor ainda, de um tamanho que não sei dizer.
Tudo isso nesse dia. Eu queria ir diminuindo e diminuindo até sumir.
Mas aí, no mesmo dia, eu quis crescer. Ficar bem grande pra que pudesse caber tudo que eu sentia. Pra não deixar nenhum pedaço caído por aí.
Depois vi que o melhor foi eu ter ficado do meu tamanho, nem maior nem menor, na medida certa pra aceitar a dor sem guardar a mágoa, no ponto pra sorrir mais uma vez.
Aí chegou o outro dia, e eu não quis ser grande, porque não queria guardar nada pra mim. Eu não quis ser pequena porque queria enfrentar o meu medo sem fugir.
Chegou hoje, e apesar de eu ter (tido) todas essas vontades, sempre soube que aumentar ou diminuir não resolveria as minhas inquietações, mas, agora às vejo com outros olhos, de um ângulo lá de cima, e de um pequenininho ali embaixo.
Às vezes meus medos são tão grandes... E às vezes tão pequenos que não são mais medos, são migalhas minhas que a mamãe varre depois de toda a bagunça.

Fim

No fim da briga
Eu me sentei
Pra assistir a reconciliação

No fim do beijo
Eu abri os olhos
E vi outro beijo

No fim da peça
Eu quis ir embora
Antes que chegasse o fim

No fim de tudo
Eu chorei
Não lembro mais como acabou

Ou quando acaba.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Familiaridade

Me és familiar ou estranho o verbo?
Me és algo que incomoda, dilacera e
Espatifa em minha boca
Quando a ti me submeto

Me és prenúncio de perda
Afeto enganoso
Não, me és um qualquer
Ou mero adjetivo

Adentrai o soluço da caridade
Ouça o lamento único
Onde dizem "cala-te boca"
E depois ouça nunca mais

Me és inteiramente estranho
Quando de mim conheces
Apenas a boca
Enquanto eu... conheço-te todo o resto