sexta-feira, outubro 26, 2007

Outra vez outra

Duas, nós, uma....
De tarde passou-me à lembrança, ruído do vento na rua, enquanto as folhas secas se iam... Essa lembrança se vinha.
Contado aos meninos... A eles conto tudo, mas deles sei nada, nem quem são eles, nem querem eles que eu saiba.
Ouvindo gotas no chão, soluços, espirros, sorrisos... Apenas calado, apenas seguindo, corria, corria, crescia... Calado falava das cores, que via piscar no sótão para os meninos, as crianças. Os olhos arregalados, claros com vida e vermelho, mas não tinha quem queria, não tinha esses meninos. Só eu, as cores, os sons... Eram os meninos.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Felicidade...

Ontem, o tema de uma redação me chamou a atenção: "O que é Felicidade para você?"
Foi difícil descrever, quer dizer, é difícil, pois ainda nem a fiz.
Não sei como, quando, quem, cuma que isso acontece... Mas é tão natural que dá medo de intitular, botar nome. Cada um a descreve de uma maneira.
Nesse momento sinto-me em puro êxtase... Transbordando de felicidade, porquê? Não sei. Acho que já acordei assim, feliz. Acho que já nasci assim.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Significado

Muitos já me perguntaram: "Qual o sentido de Ananita? Por que Solua?" E eu, como sempre, enrolava, dizia qualquer coisa, mudava de assunto, talvez nem eu mesma soubesse qual era.
Refletindo sobre a tal escolha, eu mesma perguntei-me: "Por que Ananita? Qual o significado?"
Bueno, pensei nas várias hipóteses: gosto de Ana, é o nome da minha bisavó, Ita é o apelido da minha madrinha, Anita foi o nome de uma boneca de infância e também de uma personagem que gosto bastante: Anita Garibaldi. Solua pode ser 'só com a Lua', 'Sol e Lua', 'só Lua', ou até, se escrito ao contrário um belo instrumento de sopro, e outras coisitas mais.
De todo o modo, foi por impulso, inspiração momentânea, eu precisa dar um NOME ao meu mundo, ou parte do que ele é, e fiquei feliz com o resultado. Hoje ele significa muito mais do que um mero substantivo, significa que os caminhos não acabam, que entre o céu e a Terra há tanto quanto há dentro de nós, dentro das Anas, Zelitas e Anitas que somos; significa que nascemos, crescemos e continuamos de mãos dadas com os nossos pais, acordados para o pôr-do-Sol, só para ver a Lua, e para nela sonhar.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Partido do guarda-chuva

Ah... Um dia livre! Um dia calmo, ventoso, bom dia DIA!
Talvez chova, talvez não, talvez forte, talvez fraco, talvez nem...
Certa vez falaram que as pessoas se dividem em dois tipos: as conservadoras e as liberais; as conservadoras são as que usam guarda-chuva e as liberais preferem sair sem ele, eu prefiro chamá-las de prevenidas e desprevinidas.
Bem, de qualquer modo, hoje será um BOM DIA!

PS: Eu trouxe guarda-chuva, mas sou bem "liberal".

sábado, setembro 29, 2007

É bem melhor quando já se sabe o fim

Sabe qual o fim? Seria bom se soubesse? Como pode saber?
Acho que é bem melhor imaginar como pode ser e fazer com que seja como imaginamos, não o fim... O fim pode ser novamente o começo de tudo, basta começar.
Abrir os olhos para o dia, sentir os cinco sentidos invadindo o sexto. A respiração em curtas pausas em busca de fôlego para a próxima palpitação. Folhas caídas ao chão, do fim de uma estação, abraçadas aos grãos secos fecundos em terra para semente, para nascer e amanhã, quem sabe cair novamente.
A vida é bem melhor quando já se sabe o fim, de planos e sonhos em anos, por sermos só nós grãos. Anos, meses, dias, agora. Como quiser, é plantar e colher. É ser feliz.

terça-feira, agosto 21, 2007

Ausência

Às vezes venho ao blog e tento uma, duas, três vezes e nada. Então apago, salvo rasuras, e as idéias vão acumulando. Formam-se pilhas e pilhas delas, aí esquentam e evaporam, e eu não volto. A ausência das palavras incomoda, mas a questão é o acúmulo delas. São tantos temas pedindo textos, tantas conversas pra serem contadas, idéias, lembranças, coisas minhas e das personagens criadas... E tudo fica no baú, esperando algo que eu não sei o que é ou alguém que eu não sei quem é. Tento agarrá-las e prendê-las em mim, inútil. Elas escorregam, fogem às gargalhadas.
E hoje agarrei essa idéia, fiz com ela me contasse o que agora conto a vocês.

quinta-feira, julho 26, 2007

Otacília

Penso na Tatá e a mordida me vem à cabeça, ou melhor, na bochecha. Eu estava lá pelos 6 anos sentada em frente da casa da Cecília quando ela apareceu, me abraçou, apertou, beijou como sempre fazia e me mordeu. Meus olhinhos se encheram de lágrima, ela percebeu e se desculpou, eu acho que não chorei, mas fiquei com vontade. Foi na época da escolinha, ela dava aula onde eu estudava, e na mesma época fomos num parque de diversões, depois da montanha russa aprendi a escolher, e escolhi que se um dia eu fosse em algum desses parques jamais eu iria na montanha russa, nunca mais fui.
Ela sempre carregava livros, pra cima e pra baixo, com suas saias longas. Ficava lá com a tia Maria, onde eu passei praticamente toda minha infância, e sempre me presenteava com livros de poesia e contos, livros que ainda habitam minha prateleira com orgulho. Ela é uma das grandes personagens influentes na minha história, está presente mesmo antes do começo e continuará até depois do fim, o último ponto não depende de mim.
Tatá, essa VEZ foi sua, é única mas não a única. Te amo muito titia fofucha!!!

quarta-feira, julho 18, 2007

Conversa no ônibus

- Seu Zelão, como vão as coisas pro senhor?
- Ô compadre Maneco, vai indo graças ao bom Deus, e com o senhor?
- Na graça do Senhor também. Agora deixa eu lhe conta uma coisa, o senhor nem imagina o que me assucedeu nesses dias. O senhor se alembra da Rita Maria, a Ritinha...
- Ah, a mulher do Seu Miro?
- A mesma, mas corrigindo... Ex-mulher, meu amigo, ex.
- Minha nossa, mas o que assucedeu-se com os dois?
- O senhor deve de se alembrar também daquele fulaninho que rondava pelas banda da casa dos dois, o tal que vivia por aqui em São Paulo, e foi lá pra visitar a família... Esqueci o nome do bendito.
- Eu me alembro sim, mas só de vista, rapaz bem aparentado.
- Pois é, eu podia jurar que a dona Ritinha tava é tendo um causo com ele...
- Minha nossa que é acusação muito grave.
- Pois é, mas eu que não ia afirmar tal coisa sem ter certeza. Pois perguntei pra Rita e...
- Ela confirmou. Que vergonha.
- Negou, ela negou tudinho de pé junto e ainda disse que amava Seu Miro.
- Pois então compadre Maneco, porque a certeza?
- Vai ouvindo... Uns meses depois, o fulano voltou pra São Paulo como era de prometido, não demorou muito e Ritinha decidiu passear por aqui também.
- Vixi, já to vendo.
- Ela soube que eu tava trabalhando aqui e veio atrás de mim pra saber se eu sabia de alguma coisa do fulano.
- E o senhor sabia?
- Mas claro que sabia, sou homem bem informado, sei de tudo que se assucede.
- Entendo, perguntei porque São Paulo é grande do tamanho do mundo e a gente nem sabe da gente mesmo quem dirá dos outros.
- Pois eu sabia e sabia de mais, e foi aí que ela me perguntou e eu tive que responder coitadinha.
- O quê?
- O que ela perguntou ou o que eu respondi?
- Uai, os dois homem.
- Ela perguntou do tal, se eu sabia por onde ele andava, e eu respondi. E foi aí que tive a confirmação.
- Mas respondeu o quê Seu Maneco?
- O homem bateu as botas, não durou nem muitos meses depois que voltou. Na hora que eu disse isso a mulher quase caiu pra trás de tanto desgosto, e me perguntou se foi morte matada porque ele parecia muito saudável e ela pensou que Seu Miro descobriu tudo e quis matar o rapaz, isso ela não falou não mas por certo de que é assim que ela pensou. Mas meu amigo...
- Quê?
- A mulher caiu pra trás mesmo foi depois que eu disse que foi morte morrida, morreu de Aids o desgramado, a bicha saiu xingando o rapaz e a família até a quinta geração. Que confirmação melhor que essa o senhor há de querer?
- É, que história hein. Pobre do senhor Miro, mas que bom que se livrou da cobra.
- Livrou nada, sabendo o sucedido a mulher voltou pra casa e o marido aceitou, nunca soube de nada o coitado.
- Minha nossa, que Deus olhe por ele. Então até qualquer dia desses Seu Maneco, valeu o papo.
- Até Seu Zelão, depois eu conto o resto, que o causo só começo, o senhor não se alembra que eu disse ex-mulher, ex?
- Então até outro dia compadre Maneco, até que já é meu ponto.

quinta-feira, julho 05, 2007

Conversa de bois

- Podemos pensar como o homem e como os bois. Mas é melhor não pensar como o homem...
- Por que é que tivemos de aprender a pensar?...
- É engraçado: podemos espiar os homens, os bois outros...
- Pior, pior... Começamos a olhar o medo... o medo grande... e a pressa... O medo é uma pressa que vem de todos os lados, uma pressa sem caminho... É ruim ser boi-de-carro. É ruim viver perto dos homens... As coisas ruins são do homem: tristeza, fome, calor - tudo, pensado, é pior...
João Guimarães Rosa

quarta-feira, junho 27, 2007

Mudamos de idéia ou são as idéias que nos mudam???

Já me perguntei isso várias vezes e cada vez mais, tenho a incerteza da resposta já esperada. Há momentos na vida que é preciso tomar outros rumos, buscar novos caminhos e optar por alguns desafios. Minha bengala que o diga! São fases não muito ruins mas de todo não muito boas, é que depende... Afinal tudo é relativo, já dizia um filósofo aí não sei das quantas. E outro fulano falou o contrário "não, devemos ter determinismo, é ou não é, e ponto final". Bom, ou os dois estão certos ou estão errados, dá na mesma. Aí continua-se na merda.
O negócio é viver por esse mundão afora como se ele tivesse dentro da gente, mas não significa que as perturbações vão junto com ele não... Elas ficam amoitadas só esperando o descanso da mente e aí quando a gente pensa que ta tudo na paz as bicha vem e morde que nem cobra quando quer dar o bote. Mas, veneno de-não-cobra pega só se a gente acha que cobra é. Por isso que eu penso, penso e quando to descansando penso de novo pras bicha sumi de tanto esperar. Mas tem hora que chegou a hora, e se não é cobra complicada é pedrada na certa. Aí danou-se, a pedra bate, faz um arrombo e com o tamanho do buraco as cobras aproveitam pra entrar. E eu repito, aí lascou-se de vez!!!! Caminho sem ida é caminho sem volta. Mas sempre tem um mas para ajudar na explicação de que nada é definitivo, até agora só a morte e olhe lá. As coisas boas são as novidades, as velhas também, porque depois da gente ficar tanto tempo sem lembrar, quando lembra vira novidade. O que é triste é ter que abdicar de coisas para dar lugar às coisas, entenda-se por coisas as coisas que quiserem entender. Mas, fazer o quê? Pra tudo dá-se o jeito!!! O importante é a vigília, a vigiada das idéias viajadas e o importantíssimo é não vigiar nada.