quarta-feira, janeiro 19, 2011

Analice

Analice é bruta, porém com muita sensibilidade.
Analice tem mania de ver o que não é, e ouvir o que ninguém disse.

Analice me viu.
Analice me ouviu.
Analice não falou nada.

Muda boba Analice.
Analice muda nada.
Na água é que nem peixe.
Bonita, ligeira, calada.

Analice me viu.
Analice me ouviu.
Analice não disse nada.

O absoluto do relativismo

Ser absoluto ou relativo? O que implica é o grau em "ser" e não o ser "o quê".

Ser simpático com um tom de grosseria.
Ser ingênuo com pouco de malícia.
Ser estúpido sem perder o "Q" no doce.
Ser humilde e dar espaço ao egoísmo.

É fato que o excesso prejudica.
É certo que beber pouco não sacia.
E o "Q" de apetece.
E o quê?

Ser tranquilo e gritar e gritar mais.
Ser ridículo e sorrir o rosto.
Ser real com muita fantasia.
Ser palhaço triste de tão feliz.

E ser.
Isso explica.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Feliz Natal e um próspero ano novo!

Amigos,

Deixo aqui meus sinceros votos de felicidades a todos, que neste Natal mais abraços possam ser dados e que este ano que chega seja muito melhor do que o passou, e assim seja sempre.

Beijos e abraços,
Amanda.

domingo, novembro 14, 2010

A estrada



Quando me coloquei a caminhar objetivando um determinado lugar, percebi que para chegar ao destino existiam diferentes passagens e qualquer uma delas poderia ser tomada. Cada passagem tinha seus perigos, ainda mais por eu não poder retroceder após escolher, e também não era possível dizer qual delas seria a mais "correta", ou a mais sensata... Dessa maneira ficava cada vez mais difícil a decisão final, e fui indo a passos curtos, temerosos e tímidos, atenta a qualquer "sinal" ou presságio de boa e má sorte. O tempo passando e eu decidindo a cada curva... e então na encruzilhada, parei. A partir daqui, os passos curtos e as pequenas escolhas não significariam uma continuidade para duas possibilidades... A partir daqui uma escolha implicaria na falência da outra, e determinaria novas direções dentro da estrada escolhida. Retroceder não era possível, esperar talvez, mas não muito. Embora já tivesse tomado minha decisão, fiquei ali, parada e me sentei num tronco, fiquei espetando folhas secas num pequeno graveto, e quando este se encheu eu as tirei e logo me pus a colocá-las novamente, e novamente, e mais uma vez...
O próximo passo muda muitas coisas, e não sei se por medo ainda não levantei do tronco. De todo modo, isso não é insegurança, mas às vezes temos tanta certeza de algo que passamos a ter medo e duvidar dessa mesma certeza. Dizem que tudo em excesso faz mal. É verdade, eu já espetei folhas demais, está na hora de levantar e continuar caminhando. A estrada é longa, e terão muitas encruzilhadas pela frente. Fiquei até pensando que... talvez se eu ficasse mais tempo aqui, me sentiria tão a par das decisões, que tomaria por escolha me tornar uma folha. Afinal, o vento bate e elas tomam rumo seguindo o curso, não precisam tomar decisões e nem se preocupar em chegar a algum lugar, elas são assim, meio nômades... não são por completo porque não vão pra onde querem e na hora que querem, elas são levadas de chão em chão, ao ar, ao mar... E foi por isso que me levantei depressa. Não cheguei até aqui para deixar que outro decidisse por mim. Pois, cada um de nós é responsável pelo curso de nossas vidas, às vezes nos cansamos de procurar incansavelmente respostas pra tudo, talvez apenas seja preciso sentar e relaxar um pouco, porque somos humanos, e isso é tudo o que sabemos uns dos outros. E agora o que posso dizer, é que aprendi muito com as folhas. Até a próxima encruzilhada.

sexta-feira, outubro 15, 2010

De que adianta gritar quando todos são surdos?!

Ontem ouvi pessoas discutirem sobre delírio, não somente aquele que denominam loucura, mas muitos outros, como ciúmes, fé, medo, enfim... Delírios causados pela mente. O assunto já me chama a atenção pelo fato de, ser muito delicado, porque existem coisas que julgamos ser erradas, ou delírios como diziam, mas que apenas estão fora dos nossos padrões sociais. Um exemplo, se um índio aparece na cidade todos irão o admirar e o julgar, mas o mesmo ocorre se um executivo, um homem da cidade, aparece em uma tribo. Ou seja, as diferenças variam de acordo com o meio e os costumes de cada sociedade. Mas voltando aos delírios, algo me chamou muito mais a atenção, foi quando falaram sobre os jovens, e sobre se apaixonar. "Quem se apaixona delira de amor e se ilude porque a realidade é outra" ou "os jovens sofrem de delírios quando descobrem o mundo, pois querem abraçar tudo e mudar o que acham que é errado". 
Sou jovem, sou excessivamente apaixonada, pela vida, por quem amo, pelo que faço e pelo que tenho vontade de realizar. É desestimulante não ser compreendida, ou pior, pensar que um dia talvez irei dizer que todos estavam certos enquanto eu sonhava bobagens. Não, não é nisso que penso. Sou jovem, tenho os pés no chão e a alma solta nas nuvens, e se tem algo que detesto é ouvir que um sonho, seja meu ou de qualquer outra pessoa, é ilusão. 
O que é difícil não é impossível, e o que é fácil não tem valor. Quando um jovem pensa assim ele quer mudar o mundo porque acredita que pode, porque o que é de graça não vale a pena, valoriza aquilo que dói, que se conquista mesmo com perdas, porque marca, cicatriza, e vale a pena. O que é material se descarta com o tempo e é substituivel, mas a alma não descarta as boas lembranças e realizações, pelo contrário, registra tudo em detalhes, inclusive as desilusões. Há quem prefira não sonhar para não se iludir, mas e a desilusão de não ter vivido uma realização já sonhada?!   
Quando alguém nos diz pra parar de sonhar, de pensar bobagens, não sabe que essas bobagens podem gerar grandes ideias e soluções no futuro, porque é possível. 
Sonhar não é delírio, é viver, é ter fé e esperança, é lutar e nunca deixar de acreditar. Ninguém nunca disse que seria fácil, o importante é equilibrar mente e coração, e escolher nem com um nem outro, e sim com os dois. 

quinta-feira, setembro 30, 2010

O corpo fala

O trem demorou a passar, foi uma diferença de pelo menos 12 minutos em relação aos outros dias. Entrei. Sentei. Li. Desci do trem. Perdi meu ônibus. Foi uma diferença de pelo menos 12 minutos que se estendeu por 30 minutos. Sentei. Aguardei. Foi aí que vi um grupo de mudos se comunicando. Sempre achei interessante a linguagem de sinais. Dizem que todos devem aprender inglês, porque é o idioma universal, mas eu acho que deveríamos aprender libras porque é a linguagem do nosso corpo, é o que todos temos em comum. Afinal, falar inglês não me proporciona a experiência de me comunicar com um mudo ou surdo. 

Acho que os trens atrasam porque precisamos que os minutos se estendam. Eu teria perdido aquela deslumbrante apresentação se estivesse no meu horário. Era como um Ballet, com o fundo musical de buzinas e um cenário poluído. Uma moça gesticulava intensamente as mãos, passando sobre a cabeça, dando voltas, subindo e descendo em ritmos acelerados e calmos... Os rapazes a acompanhavam e esperavam seu momento para expressar. O interessante nessa linguagem é que aprendemos a ser pacientes, cada um tem a sua vez de se pronunciar. Se todos decidirem gesticular ao mesmo tempo, seria impossível compreender. Temos que ouvir, ou melhor, ver o outro falar. 

Só ganhei ao perder tempo. 

terça-feira, setembro 28, 2010

Hoje choveu

Tenho vontade de chorar.
Tenho vontade de gritar.
Tenho vontade de sair de mim.
Mas de poder voltar.

Quero primeiro querer sem imaginar se o que eu quero é possível
E não primeiro imaginar para depois não querer mais

Algo aqui dentro pulsa.

Hoje mesmo quis fazer tantas coisas
Quis ser dona do meu trabalho
Quis ser dona do meu destino
Quis que ficasse noite com muitas estrelas
Quis que todos pudessem querer coisas boas
Coisas que se realizassem
Quis mudar o mundo! 

Mas sempre descubro que é ilusão
Não me conformo! Não me conformo! 
Também não sei como começar

Quero ajudar
Quero tentar
Não tenho medo de cair e me machucar
Tenho medo de não conseguir ajudar

É lamentável 
Não querer mais lamentar
E não saber como é o primeiro passo
Afinal como é?

Como se faz para andar? 
Afinal como é?

Como se faz para ensinar?
Afinal como é?

Faz uma semana, que todos os dias pela manhã, eu vejo o homem sentado na mala, sem rumo, sem identidade, sem expressão alguma. Todos os dias, e sem mudanças. Mas hoje, ele era um homem diferente, um homem sentado na mala, sem rumo, sem expressão alguma que segurava um guarda-chuva. Um guarda-chuva quebrado e rasgado. 

segunda-feira, setembro 27, 2010

O que é maior

Procure por medo e o encontrará.
Já a solidão não.
Aqui não há, senão esta já escrita e outra noutro verso.
Isso, se dessa maneira a procurar.
Pois há quem diga - que ela está mesmo quando não está.

Curioso, no mínimo curioso. É também Subjetivo.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Desfaleço

Na sala, vazia, me havia, me havia. 

Ora, então não estava vazia se lá me havia.
Que sentido bobo o de haver, pois é possível estar e não estar. Como se diz, quando estamos num lugar, porém noutro.
Ah, pra quê complicar?! O que dizia?! Ah, sim...

Na sala, não vazia, me havia, me havia.
E existia tanto de mim que eu não cabia.
Gritei, mas nem minha palavra eu ouvia. 
As paredes apertavam-me os lados, a fronte e os tímpanos. Zunia tudo, o mundo, dentro de mim. 
E eu me havia, me havia assim. Toda zunida e muda, com o corpo gordo, pesado em cima de mim.
Na sala pequena, miúda, eu me via.
O aperto no peito, me assaltava querendo explodir. 
Não tinha espaço pra tanto de mim, não podia fugir.

Oh! Ali, bem ali... Está a porta. Mas é tão pequena. 
E eu crescia, crescia.
E a porta. Era porta. Permanecia imprópria. Somente porta. 
Tudo estava assim a minha volta.
E eu crescia, crescia.
A porta, não.

Pois sim, sou eu, minhas divagações a cerca de outro alguém que é, senão eu mesma, ou você, ou outra pessoa desconhecida. Divagações?! Não deveria divagar sobre o que me é importante. Pois sou eu, a gorda, que sente o peso da existência mútua, do que é ser humano. 
Pois sim, sou eu, quem mais?! Senão eu, que vejo a porta, a alguns passos, mas não a abro. Pequena, pequena porta. Serei eu tão grande que não consigo sair de mim?!
Pois sim, sou eu, eu mesma, que não sei se Sou ou do que se trata quando afirmo que não é de mim, de dentro de mim, que cresce, ou que explodi uma vez por dia, uma vez mais, todo dia, a vontade de caber em algum lugar. 

Eu. Eu me havia, me havia.