terça-feira, agosto 22, 2006

Ilustre Ilusão...

Luz da lua, que branco é tua face
Crescente, me afague
Sempre tua lira do mar
Faz de Marte tua classe
Doravante um rio, deságüe
Que pra sempre fez morar
Senti nua, esse canto quer vingar-se
Da morada, me afaste
Pois sem ela vou ficar
Mais que verdade?
Tentar sem ter sujeito
Clareza de um suspeito
Fadigar, me faz quebrar
Nem sempre há
Certeza da vitória
Limpeza na história
Coragem pra seguir
Nem sempre há
Verdade da palavra
Beleza noutra arte
Lágrima no olhar
Ilusão, fujo não
Esconde do chão
Minguando, sumindo
Farejo o pão
Tentei, eu bem sei
Encher todo ar
Soprar todas nuvens
Só pra te olhar...

quinta-feira, agosto 17, 2006

Letra incerta...

De fininho chega com um sorriso e diz que ama
Ama nem menina
De paz atrás, pra mim pro fim
Sentido oculto verbo certo
Palavra aberta, letra incerta
Talvez um mimo, um mito, uma cor
Do verde a planta da alma inflama, descalça
Se faz passar, tilintar os guizos dos meus jardins
Entende, quando quer vontade faz
Sem medo acontece, incompreensível, talvez como
Mas no dia vontade se vai
Que dia demore a chegar... Tarde, que estou a amar
Sente no peito vontade doer
De querer e querer, sem saber se não vai
Quem é aquele que veio
De todo aquele que vai
Dia pensa vida
Vivida, vívida e verídica
Talvez me afogue no amor...
Talvez me sufoque esse mar.

terça-feira, agosto 15, 2006

Tudo são possibilidades...

Olha o espelho, pára.
Pensa, reflete, analisa.
Tento?
Não tentar é mais amedrontador do que fracassar...
Covardia, talvez. Insegurança, também.
Mas antes fracasso tentado, do que incerteza da possível vitória!

sexta-feira, agosto 11, 2006

(...)

Uma chama acesa na alma
Grito de liberdade no peito
De tudo o Nada se alastra
Contudo, "por quê existir?" - pergunta o sujeito
Da vida minha morte não passa
Ultrapassa fronteira vivida
Viva ainda, crescente... Sempre
De querer fingir ser criança
Algo não explica compreensão
Não importa, Nada existe...
Saber nada é ter certeza...
Ainda que afogassem o verde da letra
O amarelo do Sol
O coelho da Lua...
Ainda que arrancassem o sentido do ser
O conflito do peito...
Desnudassem o querer
O TUDO... EXISTIRIA!

quarta-feira, agosto 09, 2006

"Gran Finale..."



Entre ruínas de um amor quimérico, ela dança lançando cinzas de seus desejos ao vento... Sem descobrir os segredos velados atrás da verdade, flutua em suas vertigens... Representa o "Gran Finale" por ela preparado; sua última aparição para a platéia inexistente. E, em um gesto ensaiado, ela se curva em agradecimento ao público ausente. Vagarosamente as cortinas se fecham... Fim do espetáculo !!! Fim do sonho !!!

domingo, agosto 06, 2006

Papotito, NADA!

Os olhos sentem, vontade sente... Sente-se senhora vontade, fique por perto, de pé eu espero...
Que imagem bela, bela imagem é esta... A de se ter uma imagem, uma idéia ilusória!

sexta-feira, agosto 04, 2006

"Farol..."

Ultimamente, todos os dias eram tão comuns que ficavam sem graça. Chatos!
Filipeto buscava emoção, aventura, novos horizontes... "A monotonia tomou conta de mim" - pensava ele. Talvez, ele só precisasse conversar, jogar papo pro ar e dar boas gargalhadas com os amigos... Se ele tivesse é claro.
Filipeto era um garoto só, deixou seus pais em um Estado distante do seu para estudar. Ele era muito estudioso e dedicado. Seus pais eram pobres, mas lhe deram uma grande herança: perseverança, honestidade e persistência! Ele era um grande rapaz, possuía uma alma nobre. Mas as pessoas ao seu redor não enxergavam sua alma. Viam somente o exterior, a beleza que ele não tinha. Usava óculos, dentes pra frente, espinhas por todo rosto... Pobre Filipeto, estava só! Até que um dia...
Parado num farol fechado ele viu uma figura que seus olhos não podiam imaginar, ela era bonita, e segurava um livro... Mas não era só isso, parecia ter algo mais... Decidiu num improviso se aproximar, ficou incerto sobre o que fazia, seu coração palpitava como nunca. Foi então que ele disse.
Ficou esperando resposta, medo, ansiedade, formigamento, até que ela... Disse.
Ele respirou aliviado, podia agora seguir assunto. Ela olhou em seus olhos, enxergou sua alma...
O farol abriu.

terça-feira, julho 11, 2006

"Desejos..." - Do Vinícius

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Vinho com amigos
Conto do Veríssimo
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial!
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra Não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Foto em Preto e Branco
Aula do Guina
Sarar de resfriado
Escrever um poema de amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Receber carta de quem se gosta
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Caminhar pelo parque
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Sorvete de abacaxi
Uma tarde amena
Pôr-do-Sol
Sentir a brisa
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho tinto
Tango do Piazzolla
Bossa de João Gilberto
Samba do Paulinho da Viola
Poema do Vinícius
E muito carinho meu.

PS: Essa é do Marcos Vinícius, grande amigo (bem grande mesmo...) Adaptado do Drummond


segunda-feira, julho 10, 2006

Pessoas...


Sabe aqueles dias em que a gente acorda com uma vontade de brincar...Ficar feliz, dar bastante risada e provocar risos, falar de coisas passadas e das que virão...Ou então, aqueles em que o dia amanhece chuvoso e triste, provocando a tristeza nos outros e na gente... Mas o bom mesmo é saber que com chuva ou com sol vocês estão...Mesmo aquelas não muito "presentes", às vezes por trabalho, horários e tudo mais... São meu presente... Minha festa e meu céu, onde procuro o encontro de um ser eterno... E acho, no entanto, uma vida de vidas que se cruzam, passam, invadem e se vão... Deixando lembranças e histórias desse palco improvisado da constante mutação...Ser é estar em você e encontrar-se consigo mesmo. Olhar para o caos e ver a mudinha de verde nascer... Pensar, fazer perguntas mesmo quando não se pode ter as respostas... Quebrar regras sabendo que não se sabe o por quê...Por que o céu é azul???

sexta-feira, julho 07, 2006

...De ontem em diante

De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada
são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem

Fernando Anitelli (O Teatro Mágico)